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18/01/06
08/09/10
Boletim Eletrônico 453
01/09/10
Boletim Eletrônico 452
25/08/10
Boletim Eletrônico 451
18/08/10
Boletim Eletrônico 450
11/08/10
Boletim Eletrônico 449
28/07/10
Boletim Eletrônico 447
21/07/10
Boletim Eletrônico 446
14/07/10
Boletim Eletrônico 445
07/07/10
Boletim Eletrônico 444
30/06/10
Boletim Eletrônico 443
23/06/10
Boletim Eletrônico 442
18/06/10
Boletim Eletrônico 441
18/06/10
Boletim Eletrônico 441
12/05/10
Boletim Eletrônico 440
11/05/10
II Congreso Latinoamericano de Trabajo Social Crítico
05/05/10
Ficha de Inscrição do Encontro Estadual Preparatório do XIII CBAS
05/05/10
Boletim Eletrônico 439
28/04/10
Boletim Eletrônico 438
20/04/10
Boletim Eletrônico 437
14/04/10
Boletim Eletrônico 436
13/04/10
PNE ABEPSS
08/04/10
Boletim Eletrônico 435
31/03/10
Boletim Eletrônico 434
26/03/10
Documento do CFESS sobre Práticas Terapêuticas
26/03/10
Resolução 569/2010 do CFESS - Práticas Terapêuticas
24/03/10
Boletim Eletrônico 433
17/03/10
Boletim Eletrônico 432
10/03/10
Boletim Eletrônico 431
04/03/10
Boletim Eletrônico 430
25/02/10
Boletim Eletrônico 429
18/02/10
Boletim Eletrônico 428
10/02/10
Boletim Eletrônico 427
03/02/10
Boletim Eletrônico 426
27/01/10
Boletim Eletrônico 425
19/01/10
Boletim Eletrônico 424
13/01/10
Boletim Eletrônico 423
06/01/10
Boletim Eletrônico 422
30/12/09
Boletim Eletrônico 421
23/12/09
Boletim Eletrônico 420
17/12/09
Boletim Eletrônico 419
09/12/09
Boletim Eletrônico 418
02/12/09
Boletim Eletrônico 417
25/11/09
Boletim Eletrônico 416
18/11/09
Boletim Eletrônico 415
11/11/09
Boletim Eletrônico 414
06/11/09
Parâmetros para a Atuação de Assistentes Sociais na Saúde
05/11/09
Boletim Eletrônico 413
28/10/09
Boletim Eletrônico 412
21/10/09
Boletim Eletrônico 411
17/10/09
Resolução CFESS 560/2009
14/10/09
Boletim Eletrônico 410
07/10/09
Boletim Eletrônico 409
02/10/09
Carta de Campo Grande -MS
02/10/09
Relatório Final do 38º Enc. Nacional do Conjunto CFESS/Cress
30/09/09
Boletim Eletrônico 408
23/09/09
Boletim Eletrônico 407
22/09/09
Veja cartão da campanha do Conjunto CFESS/Cress
17/09/09
Resolução CFESS 558 e 559 - DOU
17/09/09
Resolução CFESS 556 e 554 - DOU
17/09/09
Resolução CFESS 555 e 557-DOU
17/09/09
Boletim Eletrônico 406
09/09/09
Boletim Eletrônico 405
02/09/09
Boletim Eletrônico 404
26/08/09
Boletim Eletrônico 403
20/08/09
Boletim Eletrônico 402
20/08/09
Ofício do Cress ao TJ/RJ
12/08/09
Boletim Eletrônico 401
10/08/09
Ficha de inscrição Prêmio Visibilidade
05/08/09
Boletim Eletrônico 400
29/07/09
Boletim Eletrônico 399
22/07/09
Boletim Eletrônico 398
15/07/09
Boletim Eletrônico 397
08/07/09
Boletim Eletrônico 396
01/07/09
Boletim Eletrônico 395
23/06/09
Boletim Eletrônico 394
17/06/09
Boletim Eletrônico 393
10/06/09
Direitos da criança e do adolescente nas instituições de saúde
09/06/09
Manifesto do Fórum Nacional de Lutas Contra o PLP 92/07
14/05/09
ABEPSS divulga texto em comemoração ao Dia do Assistente Social
13/05/09
Portaria 100 - INSS
07/05/09
Carta do Leitor - O Globo
06/05/09
Parâmetros para a Atuação do Assistente Social na Saúde -Preliminar
05/05/09
Edital do concurso CFESS/Cress
28/04/09
Audiência Pública sobre Ensino à Distância (ES)
07/04/09
DECRETO Nº 41.798
10/03/09
População em Situação de Rua - Bases para uma Política Pública
08/01/09
Matriz Teórico-Metodológica do Serviço Social na Previdência Social
01/12/08
Serviço Social na Previdência - Ana Cartaxo
25/11/08
Projeto Profissional do Serviço Social no INSS - Ermelinda de Paula
25/11/08
Projeto do Serviço Social no INSS - Marinete Cordeiro
24/11/08
Disciplinas Ementas e Autores - Curso à Distância
24/11/08
Curso de Especialização à Distância
10/11/08
Edita INSS DOU
05/11/08
A Prática do Assistente Social na Saúde Mental
13/10/08
Deliberações do Encontro Nacional CFESS/Cress 2008
09/10/08
Pesquisa do CFESS
02/10/08
Resolução 533 - Supervisão de Estágio
08/08/08
Lei 5.261
17/05/08
CFESS Manifesta 15 de maio
06/05/08
CFESS Manisfesta - Realização de Concurso Público para o INSS
06/05/08
CFESS Manisfesta sobre o dia 1º de maio
15/04/08
Cataz do Fórum de Supervisores
09/04/08
Formação Profissional em Serviço Social no Contexto Atual
08/04/08
Ata da apuração das eleições do Cress/RJ
04/04/08
OFÍCIO CNE/CFESS Nº 13/2008
01/04/08
Lista atualizada dos aptos a votarem
31/03/08
Instrução Normativa 02/2008 - Eleições
31/03/08
Manifestação Jurídica 22/2008 - Eleições
25/03/08
Lista atualizada dos aptos a votarem
12/03/08
Moção da Enesso sobre concurso do INSS
22/01/08
Resolução do CFESS nº 513/2007 Retificada
07/01/08
Consolidação das Resoluções do CFESS
28/12/07
Anexo Eleições
28/12/07
Mapa das Eleições
14/11/07
Confira a listagem para saber onde votar
17/10/07
Ata da Comissão Regional Eleitoral - Inscrições de chapas
15/10/07
Relatório do 36º Encontro Nacional CFESS/Cress
09/10/07
Cartilha do CFESS e CFP
09/10/07
Regimento do Cress/RJ
09/10/07
Estatuto Conjunto CFESS/Cress
23/09/07
Anexo8
23/09/07
Anexo7
23/09/07
Anexo6
23/09/07
Anexo5
23/09/07
Anexo4
23/09/07
Anexo3
23/09/07
Anexo2c
23/09/07
Anexo2b
23/09/07
Anexo2
23/09/07
Anexo1
25/07/07
Edital de convocação das eleições CFESS/Cress
09/04/07
Suplemento Especial da Edição 40
22/02/07
Lei Maria da Penha
14/02/07
Plano Nacional - Conanda /CNAS
14/02/07
Lei 11.445
14/02/07
Norma Operacional Básica
05/01/07
Código Eleitoral do Conjunto CFESS/Cress
15/09/06
Moção de Repúdio ao Simas
12/09/06
Movimento da Luta Antimanicomial
04/09/06
CFESS lança Resolução 493/2006
17/07/06
Livre Orientação Sexual
03/07/06
Resolução do CFESS 489
20/03/06
Balanço 2005
13/02/06
Manifesto sobre Decreto Municipal n. 25 409
13/02/06
Íntegra do documento enviado ao secretário da SMAS/RJ
13/02/06
Manifesto pela reforma psiquiátrica
13/02/06
Manifesto do Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
13/02/06
Nota pública do Cress sobre gestão plena do SUAS
13/02/06
Uerj, Abepss e CFESS se manifestam sobre os resultados do Enade
17/09/05
Carta de Manaus
03/03/05
Carta de Curitiba
03/03/05
Deliberações do Encontro Nacional CFESS/Cress 2004
 
14/05/09  ABEPSS divulga texto em comemoração ao Dia do Assistente Social

 

A direção atual da ABEPSS  divulga texto em comemoração ao Dia do Assistente Social

 

Desafios à Formação Profissional em tempos de crise mundial

- a ABEPSS nas atividades comemorativas de 15 de maio de 2009 –

Introdução

Estamos diante de mais um 15 de maio, mas este ano de 2009 está temperado

por dois eventos de natureza diferente. O primeiro é que comemoramos a maturidade do

que chamamos nos anos 90 de projeto ético-político profissional: os 30 anos da Virada,

quando estabelecemos coletivamente novos compromissos na sociedade brasileira –

com os interesses dos trabalhadores. Esses compromissos se desdobraram na luta pelos

direitos, pelas políticas sociais para viabilizá-los – a exemplo da política de educação e

da seguridade social - pela democratização radical da sociedade brasileira. Assim, essa

categoria configurou um campo de alianças diferenciado e que nos manteve na contracorrente

do neoliberalismo em todos os seus matizes. No caso da ABEPSS, essa virada

se traduziu nos projetos de currículo de 1982 e depois nas Diretrizes Curriculares de

1996, no fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação, na resistência às orientações

do capital para a educação superior brasileira. A ABEPSS gostaria de saudar os

profissionais, professores e estudantes de serviço social neste dia e neste ano especial.

O outro evento que marca esse período é a mais profunda crise do capitalismo

desde sua entrada num longo ciclo de estagnação, representando mais desemprego,

concentração de riqueza e barbarização da vida social. Nesse sentido, nos somamos à

chamada do Conjunto CFESS/CRESS pela socialização da riqueza. A crise do capital

expõe suas entranhas e o sentido das saídas desse processo está em disputa. As

comemorações do dia primeiro de maio foram sintomáticas do ambiente geral, inclusive

com manifestações políticas importantes no Brasil, apesar do boicote da mídia que se

limitou a mostrar a festa adesista da Força Sindical e a estratégia descentralizada e

despolitizada da CUT. Fora do Brasil, a França realizou a primeira manifestação

unificada dos trabalhadores em anos, e houve enfrentamentos importantes na Alemanha

e na Turquia, o que nos mostra a dimensão da crise e a importância dessa disputa.

Da parte da ABEPSS, nossa entidade científica e político-profissional,

queremos fazer o melhor em nosso terreno de lutas: a formação profissional nos níveis

de graduação e pós-graduação. Nesse sentido, temos uma agenda de lutas e de trabalho

que pode ser conhecida no recém lançado blog da ABEPSS, mas da qual queremos

destacar algumas iniciativas já em curso. Estamos lançando neste 15 de maio o

documento base que dará origem à Política Nacional de Estágio. O objetivo é discutir

com as unidades de formação acadêmicas públicas e privadas os dilemas do estágio

supervisionado no contexto das novas regulamentações do Congresso Nacional e do

CFESS, constituindo mais uma orientação para barrar a expansão da desqualificação da

formação, seja ela presencial, mas, sobretudo à distância.

A diretoria da ABEPSS está preparando também um documento para debate na

pós-graduação, tendo em vista seu fortalecimento como entidade científica que articula

e estimula a pesquisa na área. Essa movimentação precisa ser intensificada, ademais,

pelo quadro de questionamentos à área de Serviço Social, registrado por parte das

agências de fomento à pesquisa (CAPES e CNPq). Dentro de critérios cada vez mais

produtivistas e voltados às ciências naturais/exatas, desde a gestão passada da ABEPSS

os nossos representantes de área nestes espaços vêm enfrentando questionamentos em

torno de qual seria a natureza da produção do Serviço Social o que, em tempos de

retrocessos “contra-reformistas”, deve nos deixar em alerta dado o reconhecimento,

relativamente recente, do Serviço Social como área de conhecimento pelas agências de

fomento à pesquisa. Nesse sentido, serão constituídos os GTs temáticos na ABEPSS,

como acontece em algumas associações científicas, buscando dar visibilidade e unidade

orgânica aos grupos e redes de pesquisa existentes na área de Serviço Social. Em breve

esse documento virá a público. Outra política de fortalecimento da área é dinamizar,

qualificar e indexar o seu conjunto de periódicos, o que implica um esforço da

ABEPSS, já em andamento, em articulação com os representantes da área nas agências,

e, principalmente, junto aos coordenadores de pós-graduação. Isso, obviamente, inclui a

revista Temporalis como um meio nacional importante de debate e difusão da produção

científica da área. Entendemos que a ABEPSS como entidade acadêmico-científica tem

um papel importante nesse processo de construção de estratégias coletivas para lidar

com esse quadro de desafios à pesquisa e pós-graduação.

Há, ainda, o Plano de Lutas contra a Precarização do Ensino Superior e em

defesa da Qualidade do Trabalho e da Formação Profissionais, unificado com o CFESS,

que pode ser conhecido no blog da ABEPSS ou na página do CFESS, onde estão

previstas várias iniciativas políticas de resistência. Como a resistência é também

internacional, estamos fortalecendo a ALAEITS e fazendo um chamado para a presença

brasileira no Seminário Latino Americano de Trabalho Social, em Guayaquil, no início

de outubro de 2009, além de uma política de relações internacionais visando estimular o

intercâmbio e socializar informações.

Os Significados Estruturais da Contra-Reforma do Ensino Superior1

A defesa da formação profissional ,sem dúvida, é uma das principais frentes de

luta do serviço social brasileiro nesse momento histórico e é fundamental apreender o

significado da expansão desmesurada do ensino superior sem qualidade, em geral com

fins lucrativos e à distância, ainda que não exclusivamente. Os dados são amplamente

conhecidos por todas(os) nós, e estão publicados no último livro de Marilda Iamamoto

(2007) e na tese de Larissa Dahmer (2007), bastando dizer que seis instituições de EAD

(uma pública e cinco privadas) são responsáveis pela oferta de 27.156 vagas em 202

Instituições que implementam os cursos. Nesse ritmo de crescimento, o número de

profissionais poderá dobrar em 10 anos, processo que deveremos acompanhar de perto,

já que o ritmo da produção de graduandos não implica necessariamente em entrada no

mercado de trabalho e inscrição no CRESS.

Mas o que deve nos chamar atenção aqui não são apenas os números. A

primeira campanha que dá origem à política de comunicação do Conjunto

CFESS/CRESS tinha o mote: “O Brasil Precisa de Serviço Social”. Um país com a

magnitude da desigualdade, da exploração, da discriminação que temos precisa de

muitos assistentes sociais: 83 mil são insuficientes. Nós queremos mais direitos, mais

serviços para assegurá-los, mais concursos públicos. A França mobiliza cerca de 600

mil trabalhadores sociais, dentre os quais os assistentes sociais. A nossa questão é a

produção massificada e com conteúdos banalizados, é a qualidade do ensino que está

sendo oferecido, que não assegura o perfil das diretrizes curriculares, não garante o

serviço social que o Brasil precisa.

Ao lado do EAD, crescem os cursos privados, que muitas vezes são de baixa

qualidade, em que pese os esforços de jovens e comprometidos docentes, em função das

1 Incorporamos aqui parte da conferência realizada por Elaine Rossetti Behring, em Brasília, a convite do

CFESS, no âmbito do Seminário Nacional Implicações da Contra-Reforma do Ensino Superior no

Serviço Social e o Exame de Proficiência em Questão, em 13 de junho de 2008.

condições de trabalho: contrato horista, ausência de pesquisa e extensão, turmas

enormes, estágios que não asseguram supervisão acadêmica e de campo articuladas.

Quanto à graduação à distância, sabemos que realiza no máximo adestramento, mas

jamais formação profissional digna deste nome, como tem denunciado a ABEPSS, o

CFESS e a ENESSO em suas notas públicas. Vale lembrar ainda que as medidas

desencadeadas pela aprovação da LDB - exame nacional de curso, mestrados

profissionalizantes, substituição dos currículos mínimos por diretrizes curriculares,

cursos seqüenciais, ensino à distância em todos os níveis - seguem orientações dos

organismos internacionais, no sentido da privatização das políticas sociais, de

favorecimento da expansão dos serviços privados, de diversificação e massificação do

ensino, e de reconfiguração das profissões, como vem chamando atenção Roberto Leher

e vários textos do ANDES-SN. Assim, o significado estrutural da contra-reforma do

ensino superior pode ser sintetizado por meio de alguns eixos:

- A expansão do ensino superior privado ligeiro presencial ou à distância, com o

suporte na LDB e forte apoio institucional do Ministério da Educação, de FHC a Lula,

ocorre para configurar nichos de valorização do capital médio, num período em que o

capitalismo promove uma intensa oligopolização do capital, com tendências de

concentração e fusão de capitais, e dificuldades de investimento produtivo e de

valorização. Constitui ainda uma via de acesso ao fundo público e ao crédito, a

exemplo da recente discussão acerca do apoio do BNDES a essas instituições, na

perspectiva da valorização e do suporte ao lucro privado fácil e rápido, tendência esta

que vem crescendo no contexto da crise. Vale nesse momento lembrar Marx em duas

passagens de O Capital. Quando nos dirigimos ao Ministério da Educação para cobrar

fiscalização e ensino de qualidade a resposta carregada de ironia foi a de que

representamos as forças do atraso, quase ludistas que querem quebrar as máquinas,

como nos séculos XVIII e XIX. Como os burgueses do século XIX se dirigiam aos

trabalhadores quando denunciavam a maquinaria como instrumento de subsunção e

exploração do trabalho pelo capital tendo em vista a valorização. Diz Marx: “Quem,

portanto, revela o que realmente ocorre com a utilização capitalista da maquinaria

simplesmente não quer sua utilização, é um adversário do progresso social!” (Marx,

1984: 57). Na verdade estamos denunciando o uso da tecnologia para a padronização,

empobrecimento e banalização da formação, além de meio de valorização do capital

transformando a educação em mercadoria. E sobre a educação, continua nosso clássico:

“(...) um mestre-escola é um trabalhador produtivo se ele apenas não trabalha a cabeça

das crianças, mas extenua a si mesmo para enriquecer o empresário. O fato de que este

último tenha investido seu capital numa fábrica de ensinar, em vez de numa fábrica de

salsichas, não altera nada na relação” (Marx, 1984: 106). Nada mais atual: a introdução

de tecnologia capital intensiva para o adestramento em grande escala e baixo custo –

nesse caso os tutores e congêneres são super- explorados -, em curto espaço de tempo,

produzindo valor.

O conceito de supercapitalização em Mandel, que significa espraiar relações

capitalistas de produção em esferas a rigor não mercantis, complementa esse raciocínio

(que ademais vale para a previdência, a saúde, etc). O ímpeto do capital é valorizar-se

sempre e a qualquer custo: do desperdício, da destruição do meio ambiente e no caso da

contra-reforma do ensino superior, da qualidade discutível e o aligeiramento. E nesse

período de intenso metabolismo destrutivo – no qual se esgota qualquer papel

civilizatório do capitalismo, a supercapitalização, como mercantilização universal é uma

tendência avassaladora. A reação burguesa à crise do capital dos anos 70 se funda na

supercapitalização, sendo uma de suas dimensões a contra-reforma do Estado, na forma

das privatizações. Esse é o significado mais profundo da EAD e da contra-reforma do

ensino superior. Mas há mais elementos.

- A descoberta do curso de serviço social como nicho de valorização relacionase

a uma demanda do mercado de trabalho, no formato que adquire o enfrentamento das

expressões da questão social pelo Estado e as classes no neoliberalismo. Trata-se de

produzir um adestramento para as requisições de mensuração e gestão/controle dos

pobres, num contexto já antecipado por Ana Elisabete Mota, Carmelita Yasbek em

textos dos anos 90 e mais recentemente por José Paulo Netto e Mavi Rodrigues, a

exemplo do último CBAS, de assistencialização da política social brasileira, de acordo

com uma concepção de assistência que não é a nossa. Nesse contexto, não se requisita o

perfil das diretrizes curriculares, crítico, articulador político-profissional dos sujeitos,

preocupado com os direitos e a cidadania, pesquisador que vai além das aparências dos

fenômenos, profissional preocupado com a coletivização das demandas, com a

mobilização social e a educação popular. Ao contrário, o que se requisita é um

profissional à imagem e semelhança da política social focalizada e minimalista de

gestão da pobreza e não do seu combate, politização e erradicação. Daí que é

desnecessário o tripé ensino, pesquisa e extensão: nossa matéria vida, tão fina, é tratada

com a velha indiferença do mercado. A resposta vem na forma do adestramento em

torno de conteúdos fragmentados, parciais e medíocres. Nada de livros, mas apostilas!

Nada da discussão e riqueza da sala de aula, mas a relação individual e virtual com um

tutor distante e que orienta muitos alunos, ou seja, é super explorado. Empobrecimento

e mediocridade em quantidade, com a ilusão de que está se promovendo o acesso ao

ensino superior. Isso nos leva ao próximo eixo.

-A expansão desse tipo de ensino corresponde a uma estratégia política de

legitimação porque se dá em nome da democratização do acesso ao ensino superior

como forma de chegar ao emprego, o que tem um forte poder de mobilização da

sociedade brasileira, que está entre as mais desiguais do planeta em todos os acessos,

historicamente. A maior perversidade desse projeto é essa: estamos produzindo um

exército de reserva de trabalhadores de formação superior limitada e que mal tem

condições de competir no mercado de trabalho, como mostram os processos de seleção

pública e concursos, mas que caem no canto de sereia do acesso, que na verdade é a

forma do governo brasileiro corresponder aos parâmetros internacionais de

competitividade e atratividade, no contexto da mundialização, no mesmo passo em que

reproduz seu projeto político;

- Essa expansão tem conexão com as linhas mestras do projeto de “crescimento

econômico” brasileiro, conforme as escolhas que tem sido feitas a partir da

implementação do projeto neoliberal no Brasil, que traz em si o retorno às “vocações

naturais”, numa reprimarização da economia brasileira, a exemplo do agronegócio,

especialmente biocombustíveis e etanol. Essa hipótese, levantada por Marilda Iamamoto

em alguns debates, merece ser mais explorada, mas parece claro que o ensino à

distância tem ganhado mais corpo no interior e em fronteiras de expansão dessa política.

Nesse sentido, acirram-se as expressões da questão social e aumenta a demanda por

assistentes sociais, mas com o perfil rebaixado e acrítico. A conexão também se faz com

a contra-reforma do Estado e o redimensionamento das políticas sociais, como

sinalizamos acima, na perspectiva do Estado mínimo para os trabalhadores e o Estado

máximo para dar suporte a essas tendências de inserção e adaptação ao mercado

mundial.

Aí estão os vetores estruturais e políticos que pressionam pela expansão do

ensino superior privado ligeiro – e pelas investidas também junto ao setor público como

o REUNI. Não é a primeira vez que acontecem mudanças estruturais no Brasil e que

requisitam um novo perfil do ensino superior. A ditadura, com sua modernização

conservadora, criou a universidade tecnocrática, buscando adaptá-la às requisições do

milagre brasileiro, de força de trabalho qualificada em determinados níveis e calar as

camadas médias urbanas que queriam mais vagas no ensino superior. Esse processo

prenhe de contradições inverteu a relação entre ensino público e privado no Brasil – ou

seja, a saída naquele momento também foi a privatização. Mas a universidade

tecnocrática pública, ainda que tenha sido fragmentada, comportou o crescimento da

pesquisa, e no processo de redemocratização e ascensão dos movimentos sociais foi

possível democratizá-la e constituir espaços de resistência à “idiotia dos peritos”, tão

denunciada pelos estudantes franceses em 68 que reivindicavam a totalidade e a

criatividade. O serviço social se inseriu e se construiu na universidade brasileira como

um desses espaços de resistência ao longo dos anos 70, apesar do ambiente hostil da

ditadura, e sobretudo, a partir de 1979, ano da virada.

Isso mostra que o processo social sempre tem contradições – e o nosso grande

desafio naquele momento difícil e nesse momento também difícil como organização

política é encontrá-las e acirrá-las ao máximo, buscando alianças na sociedade brasileira

para a resistência a esses processos. É verdade que as características do processo atual

são nitidamente mais destrutivas e ameaçadoras para os que vêem a educação como

direito e não como mercadoria e a querem pública, gratuita e de qualidade, quando

quebra-se a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, inclusive no setor público. É a

requisição estrutural de uma tecnocracia limitada ao preenchimento de cadastros e a

realização de metas quantitativas em detrimento da qualidade do atendimento aos

usuários. Tal requisição é elevada à enésima potência e respondida por uma

universidade operacional, como diz Marilena Chauí, sem qualquer autonomia relativa

em relação à dinâmica do mercado.

Frente a este quadro, que envolve forças sociais extremamente destrutivas, a

ABEPSS faz um chamado à participação nas ações que estamos desencadeando, todas

elas no campo da resistência. Dentro disso, é fundamental estruturar essa entidade,

aderindo à campanha de filiação da ABEPSS, meio pelo qual teremos condições de dar

suporte à agenda tão difícil quanto instigante que temos pela frente

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